Era tudo tao eterno...
terça-feira, 9 de outubro de 2007
A cada aniversário seu você faz quinze anos. Quem faz anos de fato é a saudades que tenho de ti; as memórias que vêm todos os dias, desde que te perdi. Já não consigo mais sentir teu cheiro, já não consigo mais sonhar contigo com tanta freqüência... Tenho saudades todas as manhãs do seu beijo estalado e da batida com o pé o chão. Tenho saudades dos elogios ao meu nariz, e dos longos momentos ébrios ao seu lado. Às vezes queria de volta aquela sexualidade, aquela sensualidade à flor da pele, aquela despreocupação com toda e qualquer coisa. Aquela vida vibrando, pulsando, mais viva do que nunca.
Era tudo tão eterno, e agora já não conheço teu cheiro.
Mas essas e as outras coisas agora estão guardadas aqui. E cada pessoa nova que surge em minha vida também precisa te conhecer. E cada uma delas me diz que falo de ti com uma vivacidade tão bela e tão real que os faz entender um pouco de quem você foi e, para mim, ainda é.
Hoje novamente você faz quinze anos. Há algumas semanas, minhas saudades fizeram quatro. Saudades da tua pele pra tocar, de teus olhos, do teu “eu te amo” sincero de quem fica pra sempre junto porque a alma é irmã.
Não acredito que se esqueçam as coisas. Acredito sim, que as memórias adormecem e, de tempos em tempos, são despertadas por uma sensação, um fato, um sonho, uma epeculação, um desejo...
Continuamos crescendo juntos, nos vendo de vez em quando, apoiando uns aos outros quando sabemos que um de nós poderia estar só. E quando juntos, sabemos todos sem precisar dizer, que você está ali, entre nós, compartilhando as risadas, os jogos, as canções imortais que continuamos a espalhar pelo mundo e que contaremos (ou cantaremos) aos nossos filhos e aos filhos deles...
“Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva, que alimente outro homem como eu. Porque eu continuarei nos meus filhos, na palavra rude que eu disse a alguém que não gostava, e até no uísque que não terminei de beber aquela noite...”
E era tudo tão eterno...
[09 de Outubro de 2007]
[para Julio Frateschi]

