Já leram meus poemas:

Airport

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

These nights
and those
pass
They shall pass 'til eternity.

I blink in darkness
And it's the same as being awake,
But not for long.

In these flights
that doesn't seem to ever land;
In these cries
I rub my eyes: there isn't sand.

I quietly wait for the dreams I sort

In these nights,
when I long
for an airport.

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Aedo

Penso.
Porque não pensar me dói a cabeça.

Penso em meus dias,
penso no por quê de tanta separação,
no por quê das distâncias,
imagino só o por quê de estar só.
E não consigo resposta,
fim,
meio-termo
ou qualquer sinal divino que me diga,
alheio,
que você vai sair daquela sala e caminhar até onde estou
e me dizer que tudo bem,
e perguntar o que escrevo,
e saber todas as respostas do mundo que não cabem mais em folhas de papel
(ou no meu coração).

Penso se são mesmo todos
e todas
que de mim se vão
e se são mesmo poucos
ou poucas
que vêm.
Muito menos os que ficam
ou ficarão.

Em meu quarto sou só;
nas manhãs e nas tardes sou só;
pelas noites afora em que durmo,
sou só.

Inspira-me a tristeza
e a solidão
como inspira-me meu amor,
o fogo ardido que não vejo,
a dor que não sinto até ruir.

As horas infinitas em que não quero dormir.

Os meus dias pálidos,
doentes esquálidos
atrás de grades que, por vontade própria, cresceram ao redor.
Os meus dias passam
inválidos
essa saudade que sei de cor.
Às vezes pensar, num lúcido suspiro,
a sorte, ou a paciência que devo ter, ou a calma que por vezes tão difícil
é o só querer.
Pensar esse ritmo
como respiração;
pensar como manhã tranqüila no mato
com cheiro à chuva gostosa,
brisa fresca ou flor formosa
ou como dias que acordam fosfóricos,
incendiários
atordoados pela razão.

Espero e espero e espero
Mas Mnemosyne não vem.
Sou aedo e mulher.

Mnemosyne não vem.

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Myanmar

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

É preciso escrever os detalhes, antes que a memória deixe este assunto no esquecimento ou na irrelevância como tantos outros...

- Eu nasci princesa da Birmânia. Era pôr-do-sol quando minha mãe, me carregando no colo, escondeu-se numa espécie de armário de alvenaria com cortinas, um compartimento secreto, com uma pequena janela com grades grossas e sujas. Tudo era laranja no oriente. Mas os chineses mesmo assim nos alcançaram. Após assassinarem meu pai, que havia ficado imóvel com sua honra no salão principal, em pé à frente de seu trono, abriram uma fresta da cortina no lado onde estava sentada minha mãe e, de um golpe, cortaram-lhe o pescoço. Eu, enrolada em nobres panos bordados com fios de ouro, acordei do outro lado do compartimento. Demorou para que me achassem. Passei os anos seguintes num lugar onde era constantemente vigiada, prisioneira dos assassinos de meus pais. Aos doze anos, numa ocasião em que meu carcereiro portava uma faca, pude com esforço tomá-la e, finalmente, fincá-la fundo em seu coração. Fugi. Fui acolhida provavelmente por monges, que me devolveram aos poucos a memória de meus pais, e da dinastia de minha família. Quando a ocasião política foi propícia, subi de volta ao trono, como única herdeira viva da dinastia.

Tudo é laranja no oriente. O inglês se cala. Com um leve gesto de cabeça, eu o dispenso, para que leve minha história ao ocidente. Me sento à varanda e me despeço do sol.

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